O autor

Não tenho dúvidas que grandes iniciativas nascem da insatisfação. Sim, estou insatisfeito. Creio não ser o único que observa o mundo atual com inquietação e receio. Questiono-me frequentemente sobre o meu papel neste cenário e se, de facto, poderei escolher o meu caminho. Enquanto mero observador, sinto-me impotente e sem propósito.

Abdicar da iniciativa privada parece-me equivalente a abdicar da nossa liberdade. O meu desejo é provavelmente partilhado por muitos, mas nem todos estarão dispostos a pagar o preço necessário para alcançar o que deveria ser inevitável. É precisamente neste contexto de insatisfação e busca por significado que sonhei e fundei a Naipe Vision.

O futuro deste projeto depende sobretudo da minha capacidade de execução, mas também da vossa abertura para compreender a visão aqui apresentada e as soluções propostas. Não afirmo deter a verdade absoluta—muito provavelmente, cometo erros nas minhas reflexões. Contudo, isso não me impede de agir com convicção e determinação.

Com aproximadamente 17 anos, eu escrevi uma frase que nunca esquecerei: “Se de um erro tiro uma lição, dele eu carrego o progresso”, e se com vontade e resiliência acrescentar a estratégia, quantas tentativas frustradas sejam necessárias para encontrar ou seguir o destino, que qualquer individuo nasce para cumprir, cumprindo-se! Nem sempre tenho sido fiel a essa premissa, mas aplico-a novamente, por que sei que o meu compromisso não tem sido comigo mesmo, e parece-me que quando abdicamos de nós mesmos para sermos outra coisa qualquer, perde-se o fogo interior, o espírito que alimenta a alma, a razão que não tem de ser razão, mas que se sente, intuição inata e a nós pertence.

Por isso, o meu compromisso não é apenas comigo mesmo, mas com as pessoas. Se eu for bem-sucedido, os números serão apenas a consequência.

Não pretendo destruir nem ofender, porque quem luta pela espada, morre pela espada, mesmo que, sem querer. Acredito que não podemos transformar a realidade atual lutando contra ela, mas sim mudando a nossa perspectiva, criando uma nova Visão paralela.

A vontade é, sem dúvida, uma força inquebrável. Se aliada aos valores que definem a sociedade ocidental, a ética cristã—que considero a pedra angular deste projeto—acredito que seja possível construir algo verdadeiramente significativo em cima desse fundamento. Por experiência e estudo, compreendi que quando relativizamos valores éticos fundamentais, permitimos inadvertidamente que injustiças se multipliquem. Vivemos num mundo repleto de ilusões, fundamentado em falsas premissas. Esta é a minha crença. Estarei errado? Não sei. Não pretendo fechar portas nem cristalizar certezas.

Como Sócrates sabiamente afirmou: “Só sei que nada sei.” e concordo plenamente.

Estou pronto? Ainda não! Mas se prontidão define uma vontade inquebrável, então sim, estou pronto!

Se deseja compreender melhor o contexto deste pequeno manifesto, convido-o a ler o propósito d’O projeto.

 

Gonçalo